Estado mantém 70 delegacias especializadas para mulheres. Governo fala em capacitar policiais e multiplicar atendimentos
“Na época estava sem dinheiro, porque não estava trabalhando.” “Tenho receio de não ser compreendida, por não ser uma delegacia especializada.” Essas são as justificativas para a técnica de enfermagem Ana*, de 55 anos, moradora do Bairro Rio Branco, em Venda Nova, ter desistido de denunciar o ex-marido por violência doméstica, em 2021. O drama dela reflete um problema no enfrentamento à violência contra a mulher em Minas: a rede especializada no atendimento às vítimas no estado é composta por apenas 70 delegacias, o que representa menos de 10% do total de cidades mineiras.
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O estado é o segundo do país com maior número de ocorrências de feminicídio, atrás apenas de São Paulo, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2023, 183 mulheres morreram em Minas. Em dezembro de 2024, o governo do estado anunciou uma queda de 24%, até setembro, nos registros de mortes femininas. As tentativas desse tipo de crime, porém, tiveram um aumento expressivo, de 62,18%, no mesmo período, mostrando que o desafio de combater a violência contra as mulheres está longe de ser superado.
Em agosto do ano passado, mês de conscientização sobre o tema, o governo do estado anunciou a criação da Diretoria Estadual de Gestão das Delegacias de Atendimento à Mulher. O objetivo, segundo o Executivo estadual, é coordenar a política de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar.
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Mas em dezembro, durante balanço da atuação das forças de segurança do governo do estado, a chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Letícia Gamboge, afirmou que não há previsão para criação de Delegacias de Plantão Especializadas em Atendimento à Mulher, Criança, Adolescente e Vítimas de Intolerância. A alternativa seria a ampliação de salas de plantão especializadas nas unidades já existentes.
Foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press
Panorama Pop com O Estado de Minas