O que começou como um trabalho de conclusão de curso virou uma plataforma digital com potencial de transformar o cuidado de pacientes em tratamento do câncer de mama no SUS. Desenvolvida por alunos do programa Rio Pomba Valley (RPV), iniciativa de formação técnica sediada na Zona da Mata mineira, com apoio do Instituto Energisa e da Agência de Cooperação Intermunicipal em Saúde Pé da Serra (ACISPES), a plataforma de Visualização e Dados em Saúde da Mama (VIDA) já está em uso em 37 municípios de Minas Gerais e os primeiros pacientes já tiveram seus dados inseridos no sistema. O VIDA organiza informações clínicas e socioeconômicas com o objetivo de apoiar diagnósticos, identificar gargalos no atendimento e acelerar decisões médicas que podem salvar vidas.
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A plataforma nasceu a partir de uma inquietação do mastologista Bruno Laporte, coordenador do Serviço de Mastologia da ACISPES, agência que realizou mais de 21 mil mamografias e 14 mil consultas em mastologia pelo SUS nos últimos anos em Minas Gerais. “Os dados estavam espalhados em planilhas, sem estrutura para cruzamento ou análise. Com a consolidação no VIDA conseguiremos tomar decisões mais rápidas e eficientes com base nas informações reais da jornada dos pacientes”, explica.
Em busca de uma solução, o médico levou a necessidade de criação de uma plataforma de dados para o programa RPV. O desenvolvimento da ferramenta foi iniciado no trabalho de conclusão de curso de Maryângela Soares, então estudante do curso técnico de Programação do RPV. Com o apoio do colega Wellington Murito e de mentores voluntários, o projeto evoluiu de um protótipo até se tornar um sistema de dados funcional, lançado oficialmente em abril.
A expectativa inicial é cadastrar de 50 a 100 pacientes por mês. Além de dados clínicos, o sistema coleta histórico familiar, exames e condições de saúde, tudo acessado exclusivamente por profissionais da área. A plataforma será ofertada gratuitamente à ACISPES, e outras instituições oncológicas poderão inserir dados, ampliando a robustez das análises e contribuindo para pesquisas científicas, epidemiológicas e para o aprimoramento de políticas públicas de saúde. Desenvolvido com arquitetura segura em nuvem, o VIDA está registrado na Plataforma Brasil e em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
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Para o mastologista, o VIDA é uma ferramenta com potencial estratégico para o SUS. “Essa solução nasceu de uma dor real. Hoje conseguimos enxergar com profundidade a situação de cada paciente e, a partir disso, propor melhorias na jornada de atendimento. O plano é escalar o projeto, primeiro regionalmente, depois em nível estadual e, futuramente, nacional”, destaca o médico.
Ex-estudante do RPV e hoje analista de dados da Energisa, Maryângela enxerga o projeto como um símbolo de inovação com propósito: “Ver algo que começou como um trabalho de conclusão de curso se tornar uma ferramenta real de impacto é muito gratificante. O VIDA é um projeto coletivo, feito com propósito e entrega, para transformar a jornada de quem enfrenta o câncer de mama”, afirma a jovem.
O projeto está estruturado em três fases: a primeira, já implantada, centraliza os cadastros; a segunda, em desenvolvimento, trará painéis com indicadores clínicos para médicos e gestores; e a terceira, prevista para os próximos dois anos, vai incorporar inteligência artificial para prever riscos e sugerir condutas baseadas em evidências científicas. Os custos operacionais da plataforma serão cobertos pelo Instituto Energisa.
“Desenvolvemos uma arquitetura moderna e escalável, que permite desde o cadastro seguro de pacientes, até a visualização de indicadores clínicos epidemiológicos, além de abrir portas de inteligência artificial no futuro”, complementa o ex-estudante Wellington, também contratado pela Energisa.
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Baixo custo e altíssimo impacto
Todo o desenvolvimento foi realizado de forma pro bono através de voluntariado, com mentoria técnica de profissionais do Instituto Energisa e do Grupo Energisa, entre eles a gestora de segurança cibernética Ana Carolina Marinho. “A preocupação da equipe sempre foi garantir que o VIDA se tornasse uma plataforma robusta e segura, o que se mostrou essencial diante do aumento constante dos riscos de vazamento de dados sensíveis em ambientes digitais”, aponta Ana Carolina.
Laporte reforça que o VIDA é uma ferramenta ESG, sem fins comerciais e com vocação pública. “É uma solução viável, acessível e urgente, que, até agora, ninguém havia colocado em prática. Mais do que um software, o VIDA é um gesto coletivo de cuidado, com dados, com tecnologia e com humanidade”, diz o mastologista.
Primeiro projeto do RPV com foco social
O VIDA é também o primeiro projeto do RPV com foco direto em um problema social. O curso técnico, com 1.200 horas de duração, é gratuito e voltado para jovens da rede pública de Cataguases (MG) e região. Desde sua criação, o programa já emitiu mais de 1,3 mil certificações para cursos rápidos e de qualificação profissional em diversas áreas como desenvolvimento, infraestrutura, cibersegurança e Inteligência Artificial e teve mais de 8 mil inscritos, com taxa de empregabilidade de quase 90% para os cursos de qualificação profissional.
Para Delânia Cavalcante, gerente de Investimento Social do Grupo Energisa, o projeto reflete o compromisso da companhia com educação, responsabilidade social, sustentabilidade e desenvolvimento local. “Buscamos investir em iniciativas inovadoras, acessíveis e que gerem impactos positivos, respeitando e dialogando com os saberes locais”.
O RPV é um HUB de tecnologia, criatividade, inovação e empreendedorismo idealizado e constituído pelo Instituto Energisa e diversos parceiros. O Instituto possui sede em Cataguases, Nova Friburgo e João Pessoa, oferece formação técnica gratuita em tecnologia, com foco na ampliação de oportunidades para a juventude e no desenvolvimento de soluções de impacto para a sociedade.
Sobre a ACISPES
A Agência de Cooperação Intermunicipal em Saúde Pé da Serra (ACISPES) é um consórcio público, com sede em Juiz de Fora e filial em Santos Dumont. Cem por cento SUS, tem como missão levar atendimento de qualidade e tecnologias modernas de saúde para a população da Zona da Mata mineira.
Sobre o Instituto Energisa
Criado em 2022 para coordenar os investimentos sociais do Grupo Energisa, o Instituto Energisa desenvolve iniciativas voltadas à educação, cultura, esporte, empreendedorismo e inovação nas regiões atendidas pela companhia. Com atuação baseada em parcerias estratégicas e no fortalecimento de talentos e iniciativas locais, o Instituto busca ampliar oportunidades e contribuir para o desenvolvimento sustentável e socioeconômico dos territórios onde está presente.
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Foto: Getty Images
Panorama Pop com COMSOC/Energisa